O carnaval de Salvador é o maior carnaval popular de rua do Brasil. Sem dúvida é o evento o mais importante do ano para a maioria dos habitantes, com mais de 2 milhões de participantes concentrados sobre 25km de ruas, praças e avenidas fechadas à circulação automóvel (11km são reservados para os desfiles).

Oficialmente o carnaval dura cinco dias, mas em Salvador ele se prepara durante tudo o verão. Os grupos organizam shows de pré-carnaval, e nos finais de semana a multidão toma conta das ruas para treinar antes do dia tão esperado. O carnaval de salvador é bem diferente da festa organizada do Rio de Janeiro ou de São Paulo. Em Salvador, o carnaval é uma folia total.

Os Trios Elétricos, caminhões enormes equipados de um som gigantesco e superpotente e com uma banda tocando no teto durante quase 8 horas sem parar, são a atração principal. Dizem-se que a origem dos Trios Elétricos situa-se nos anos 50, quando dois apaixonados de carnaval, Dodô e Osmar, percorreram as ruas de Salvador em um velho carro da Ford, tocando música. Na época, essa iniciativa soou patética, mas a ideia foi finalmente tão original que começou a criar uma moda, até hoje: essa maneira de comemorar carnaval não parou de evoluir e de crescer desde então.

Os baianos, conhecidos pela alegria, a descontração, o calor humano, têm muito orgulho do carnaval soteropolitano, para eles o mais agitado do Brasil. A multidão composta de baianos e turistas de outras regiões do Brasil e de fora, caminha nas ruas de Salvador atrás dos Trios Elétricos. A tradição das escolas de samba do Rio não existe em Salvador. O principal tipo musical dos Trios, mesmo eles tendo estilos diferenciados, é o axé, mistura de samba, reggae e outros ritmos africanos. Apesar do carnaval de Salvador ser um carnaval de rua muito popular, é necessário comprar um abadá (uma simples camiseta e um short com as cores e o logo do Trio escolhido) para acompanhar um Trio Elétrico. Sem abadá, as pessoas ficam fora dos Trios e assistem aos desfiles no meio da multidão que dança, canta e pula como se fosse pipoca; o clima é muito quente e reservado aos mais resistentes (quase 17 milhões de litros de cerveja e 10 milhões de litros de água são consumidos nos cinco dias de Carnaval).

Para quem quer assistir aos desfiles dos Trios Elétricos em condições um pouco mais confortáveis e tranquilas, os camarotes são uma boa opção. Eles se espalham em pontos estratégicos dos circuitos seguidos pelos Trios e têm acesso limitado. Os mais sofisticados, e caros, oferecem bebidas e comida a vontade.

O Pelourinho tem também o seu próprio circuito de carnaval, com uma organização um pouco diferente: lá não tem Trio, mas pequenas bandas (ao som da batucada, como a do famoso grupo Olodum) geralmente associadas a um bairro da cidade ou a uma associação, que caminham nas ladeiras seguidos por fies ou simples amadores cantando e dançando (neste caso, não há necessidade de ter abadá). Durante o carnaval, varias praças do Pelourinho viram palcos de shows ao vivo abertos a todos que se sucedem a noite inteira.

Já faz uns anos que Salvador organiza também uma parada gay, que vem mostrando cada vez mais sucesso. Quase um carnaval fora de época (ela acontece geralmente em setembro), ela reuni mais de 500 000 participantes, em um ambiente alegre e colorido, e é seguida por diversas festas nos bares e boates da cidade.

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